Estrada versus Trilhos


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Disputas entre qual máquina era mais eficiente no princípio do século XX eram normais. Quase tudo era novidade dependendo do lugar, da indústria e da prosperidade. Depois da Primeira Guerra Mundial os aviões já tinham dado um salto em termos de velocidade. E nesta época também, principalmente na Europa, os trens eram rápidos e alguns muito famosos e sofisticados.


 

Era o caso de um trem que fazia a ligação entre Paris e Nice na década de 20. A origem da linha, em 1889 ligava Nice, Paris e Calais no norte da França. Dali os passageiros, de barco iam para Dover na Inglaterra, do outro lado do Canal da Mancha e novamente de trem até Londres. Em 1922, a companhia proprietária desta linha reformou todos os vagões. Eram muito luxuosos, em aço e pintados de azul. Foram logo chamados de “Train Bleu” pelos franceses e “Blue Train” pelos ingleses.

 

Nesta época não faltavam homens intrépidos. Um deles era Wolf Barnato, um milionário sul africano apaixonado por automóveis, especialmente pelos Bentley. Era também acionista desta empresa. Esta famosa marca inglesa havia vencido as “24 Horas de Le Mans” na França em 1924, 1927, 1928, 1929 e 1930. Nestes três últimos anos Barnato foi vencedor e em 29 e 30 estava a bordo do modelo chamado Speed Model, porém mais conhecido como Speed Six. Cobriu 2.930 quilômetros em 24 horas com uma média horária de 122 km/h e sua potência variava entre 180 e 225 cavalos.  O modelo Old Number One também ganhou a prova 500 Milhas de Brooklands em 1931. 

Os carros verdes aterrorizaram a concorrência. Eram modelos com dois lugares, longo capô, estes presos por grossos cintos, pára-brisas baixo e pára-lamas pequenos e recortados que cobriam só a parte superior das rodas. 


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Junto com Barnato estavam nomes como Sir Henry Birkin, Jack Buchanan, Bernard Rubin e Jean Chassagne que formavam o grupo Bentley Boys. Eram pilotos amadores, endinheirados, mas competentes no volante.

 

Barnato só freqüentava a alta sociedade e um dia, em Nice, no sul da França, estando no glamuroso Hotel Carlton, apostou 200 libras esterlinas que chegaria com seu Bentley, a Calais no norte da França e, até mesmo a Londres, antes do famoso trem. Este comboio, chamado a época de Expresso, tinha pouquíssimas paradas ao longo do trajeto ao passo que Barnato teria que enfrentar estradas noturnas, paradas para reabastecimento e pequenas manutenções, Na época não havia auto-estradas e ele teria que passar até mesmo dentro de cidades pequenas e grandes enfrentando algum trafego, trevos, cruzamentos, estradas estreitas e sinuosas. E teria que fazer 1.200 quilômetros em apenas um dia, boa parte deles a noite. Estávamos em março de 1930.

 

Seu carro tinha motor dianteiro, com bloco e cabeçote em ferro fundido, carter em alumínio, seis cilindros em linha, refrigerado a água, 6.597 cm³ e 180 cavalos de potência a 3.500 rpm. Foi criado em 1926 e era completamente novo.

Sua taxa de compressão era de 5,3:1. Era alimentado por dois carburadores da marca SU. Tinha dupla ignição graças à sincronização de dois magnetos e quatro válvulas por cilindro. Em termos tecnológicos era um motor avançado.

Sua velocidade final era de 160 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em 13 segundos. Sua tração era traseira e a caixa de marchas tinha quatro velocidades.

 

Não se sabe até hoje se a façanha é fato ou lenda. Como também se o carro era um modelo de série com carroceria Mulliner ou um belo cupê com carroceria J. Gurney Nutting. Esta, muito esportiva e bela, tinha capota rebaixada, teto solar e seu revestimento era em couro juntamente com o pequeno porta-malas traseiro. O contraste com o verde da carroceria em aço estampado o deixava com aspecto mais agressivo. Esta estava apoiada sobre um chassi tubular. Pesava 2.200 quilos e sua distância entre eixos era de 3,56 metros. Na carroceria Tourer, desenhado por Walter Owen Bentley, o chassi poderia variar nas medidas de entre-eixos de 3,50, 3.65, 3,81 até 3,87 metros. 


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No caso da carroceria feita pela J. Gurney Nutting, o cupê de linhas esguias, apesar da altura do capô, surpreendia pela aerodinâmica apesar da área frontal da imponente grade do radiador usado pelos carros da Bentley. Ladeando estes estavam dois faróis circulares de bom tamanho e mais dois auxiliares. Sobre os pára-lamas recortados, de desenho fluido, estavam as luzes direcionais. 

O pneu sobressalente ficava na lateral direita e apoiado neste, o retrovisor circular preso por cintas de couro. Para ajudar a refrigeração do potente propulsor, havia várias entradas de ar nas laterais do capô.
O cupê tinha portas de bom tamanho e abertura tipo suicida. Atrás se notava o cano de descarga de bom diâmetro e faroletes circulares mínimos. 


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Tanto as suspensões dianteiras quanto traseira tinham feixes de molas e eixo rígido. Suas rodas raiadas tinham cubo rápido eram calçadas por pneus Dunlop. Suas medidas podiam variar nos tamanhos 6,75 x 18 ou 6,25 x 33 e nos últimos modelos eram 6,75 x 21 ou 6 x 21. Seus freios eram a tambor nas quatro rodas.  


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Por dentro o painel de madeira era de acabamento esmerado e repleto de mostradores. Os instrumentos da marca Jaeger incluía velocímetro graduado a 150 milhas por hora e conta-giros graduado a 5.000 rpm. Menores que estes, estavam um relógio de horas, um voltímetro, marcador do nível do combustível e pressão do óleo. O volante de quatro raios em baquelita tinha bom tamanho e alavancas para comando do avanço do distribuidor. Os bancos em couro tinham belo desenho e eram confortáveis. 


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Barnato saiu de Nice às 17 horas e 45 minutos de um dia de março. Por várias vezes chegou à velocidade final de seu bólido. No outro dia, às 15 horas e 28 minutos o charmoso comboio havia chegado a Calais. Conta-se que 8 minutos antes, o sul africano havia desligado o motor de seis cilindros de seu Bentley em frente ao Conservative Club da Saint James Street na capital inglesa. Verdade?

 

Foram produzidos 182 modelos Speed Six com as carrocerias da Mulliner, J. Gurney Nutting, Tourer e Corsica sendo este exclusivamente conversível.  

 

Em 2003, na França, no evento Louis Vuitton Classic Concours D'elegance, o Bentley Speed Six Blue Train Special ganhou o prêmio Best of Show. E em 2013 na Autoclásica na Argentina (abaixo). 


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Para homenageá-lo, em 2005 foi criada uma série especial, limitada a 40 exemplares, do Bentley Arnage Blue Train Series. Foi equipado com motor V8 com 6,75 litros e potência de 450 cavalos.  Tanto por dentro quanto por fora o acabamento era impecável. A lenda foi dignamente respeitada. 




As vitórias em Le Mans


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A miniatura

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O exemplar abaixo, na escala 1/43, é exatamente o carro de Wolf Barnato, distribuído em bancas de revistas pela Altaya. Muito bonito vem em caixa de acrílico e sobre base preta. 


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As carrocerias, como citado acima, foram feitas pelas empresas Mulliner, J. Gurney Nutting, nas versões Tourer e Corsica. 


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 Para Ler

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