É Permitido Viver!

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Infelizmente no dia 5 de janeiro de 2015, morreu em Dakar, no Senegal, o grande piloto francês Jean Pierre Beltoise. Teve um AVC (acidente vascular cerebralem sua casa na África onde descansava com a família. Jean-Pierre Maurice Georges Beltoise nasceu em Boulogne Billancourt, região parisiense em 26 abril de 1937. Seu pai tinha um açougue e já na adolescência fazia entregas, para ganhar um pouco de dinheiro, dirigindo um furgão Peugeot 203 e neste já ia rápido. 

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Aos 18 anos, com ajuda do pai, ganhou uma antiga motocicleta Jonghi com 125 cm³ fabricada por uma empresa francesa com capital argentino. Já conhecendo mecânica por ter trabalhado em oficinas tratou de modificá-la deixando-a mais veloz para passear com sua turma, chamada Stand 14, que era muita unida e também para apostar corridas em parques de Paris pouco freqüentados. Não queria se arriscar, nem a vida de outros, já tinha uma certa dose de responsabilidade como seria verificado quando já estava na Fórmula Um, pois já discutia a segurança dos circuitos e dos pilotos.

Após a Jonghi 125 utilizou uma 175 cm³. Correu em Magny-Cours, com outras marcas como Morini e Bultaco e ganhou várias provas em seu primeiro campeonato. Era jovem e provou aos mais velhos que era muito bom. Antes havia batido recordes em Linas Montlhéry. Existe neste uma placa em sua homenagem. 

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Seguiu carreira, era muito hábil tanto no asfalto seco quanto no molhado e ganhou 11 títulos franceses no motociclismo até sofrer um grave acidente.  Nas 12 Horas de Reims, perseguia de forma implacável um Alpine em seu René Bonnet. Estava bem perto, o Alpine desviou, mas Beltoise não viu uma poça de gasolina que saía do bocal do tanque de uma Ferrari. Rodou várias vezes, capotou, bateu, seu carro ficou todo destruído e ele bastante machucado. Quebrou as pernas, várias costelas, bacia, traumatismo craniano e os dois braços. Quase teve um amputado. Foi para Paris com Eliane e lá ficou num hospital se recuperando por quase dezoito meses!  Foi muito dolorido. 


Quase recuperado, mas ainda com muitas dores, voltou à Le Mans e ganhou em duas categorias. Depois no circuito de Pau, no sudeste francês foi correr numa Bultaco, e não teve a mesma sorte. Rodou numa poça de óleo misturada com gasolina e por sorte foi cair numa grama fofa. Doeu, mas não quebrou nada. Ficou ali assistindo estarrecido vários caírem inclusive seu irmão Michel. Abandonou as duas rodas, foi outra  vez ao mesmo hospital, e para sua tranqüilidade, nada quebrado. O médico, já amigo, o incentivou a voltar.
O vírus ainda estava contaminado e foi para as quatro rodas numa oportunidade oferecida por Jean-Luc Lagardère, patrão da Matra.  

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Em 1965 começa a correr pela Matra Sports francesa em Fórmula 3,2 e 1. Nas categorias preliminares foi campeão francês na Fórmula 3 vencendo as provas de Reims e Cognac. Ficou muito feliz ao vencer em Reims, era a primeira vez que voltava ali após o grave acidente. Também ganhou uma prova de turismo, subida de montanha em Chamrousse. Ia sempre a Paris fazer consultas para acompanhamento de seu tratamento a bordo de seu Renault Dauphine 1.093.


Em 1966 ganhou o Grand Prix Automobile de Mônaco de Formule 3 e o Grand Prix da Alemanha de Formule 2. Foi premiado como campeão francês de Fórmula 2 e mais uma subida de montanha em Mont-Dore. Se de um lado foi bom, na vida particular acontecia uma tragédia. Sua esposa Eliane morria em um terrível acidente de carro no sul da França. Viviam muito bem, eram companheiros, muito unidos e ele sofreu muito com a morte dela. Ela teve participação fundamental na recuperação dele e o apoiava muito dentro e fora das pistas. Também havia perdido seu irmão Jean-Claude num acidente e não gostava de tocar no assunto.

 

Em 1967 foi campeão da Temporada Argentina de Fórmula 3, outra vez premiado como campeão francês de Fórmula 2 e mais uma vez também na subida de montanha em Mont-Dore. Também ganhou o Terceiro Troféu da Europa de Fórmula 2. 
Abaixo em testes em Nürburgring no ano de 1968.

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Em janeiro de 1968 casava-se pela segunda vez. Ficaria para o resto de sua vida com Jacqueline Cévert, irmão de François Cévert, piloto em ascensão na França. Abaixo com François, Jacqueline e o amigo Henri Pescaloro em atividade até hoje.

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Ainda este ano sagrava-se campeão da Europa de Fórmula 2 com três vitórias, uma na Alemanha, outra na Espanha e a terceira na Holanda. Também neste país chegava em segundo lugar com um Fórmula Um Matra. Neste ano correu a maioria das vezes com o motor Cosworth e uma vez com um Matra.

 

No ano seguinte outra vez ganhava na Alemanha com um Fórmula 2, mais uma vez campeão de Fórmula 2 francês, junto com Henri Pescaloro. No Mundial de Marcas, num protótipo Matra 650/01 ganhava os 1.000 Quilômetros de Paris. Na Fórmula Um chegou em segundo no Grande Prêmio da França e terceiro na Espanha e na Itália. Ficava em quinto no campeonato. E nas 24 horas de Le Mans chegava em quarto lugar. 

Em 1970 vencia os 1.000 Quilômetros de Buenos Aires com o compatriota Henri Pescaloro. Vencia também A Volta da França com Patrick Depailler e Jean Todt  sempre com um Matra Simca. Ainda no Mundial de Marcas chegava e m quarto no 1.000 Quilômetros de Paris e em quinto nos 1.000 Quilômetros de Monza sendo o primeiro na categoria de três litros. Na Fórmula Um foi terceiro na Bélgica e na Itália.


O segundo ano da década de 70 para Beltoise não foi bom. Todos erramos ele foi julgado, mas absolvido. Durante os 1.000 Quilômetros de Buenos Aires, Argentina, em 1971, ele empurrava sua Matra 660 até os boxes, com a corrida em andamento, havia uma pane do motor, atravessando a pista. O piloto italiano Ignazio Giunti, que vinha logo atrás, ultrapassava com sua Ferrari 312PB o inglês Mike Parkes não viu o bólido e bateu violentamente na traseira, houve incêndio, vindo o italiano a falecer no local. 

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Na época a justiça Argentina o acusou de homicídio por imprudência, ficou muito abalado, com ou sem a punição, não foi intencional, foi também punido pele FFSA (Federação Francesa de Esporte Automobilístico), mas recuperou sua super licença após julgamento pelo conselho disciplinar em abril de 1972. Não foi um período fácil para o piloto!

 

Em 1972 estava na BRM (British Racing Motors) e tinha como fortes concorrentes Jacky Ickx e Itálo-suiço Clay Regazzoni na Ferrari, na Tyrrell Ford o escocês Jackie Stewart e o francês François Cevert, na Lotus Emerson Fittipaldi e o australiano David Walker, na Brabham o inglês Graham Hill, Wilson Fittipaldi e o argentino Carlos Reutemann, na McLaren neozeolandês Denny Hulme, o sul africano Jody Scheckter e o americano Peter Revson, na March o sueco Ronnie Peterson e Niki Lauda, na sua antiga equipe Matra neozeolandês Chris Amon, na Willians o francês Henri Pescarolo e José Carlos Pace e como colega na BRM o sueco Reine Wisell. A exceção da BRM P 160B, Ferrari e Matra com motores próprios V12, todos os outros eram Ford Cosworth DFV 3.0 V8.  Em 14 de maio deste ano, com uma tempestade constante, Jean Pierre bateu o recorde de volta assim como ganhou a prova com maestria sendo recebido e saudado pelo príncipe Rainier e a princesa Grace Kelly que estavam muito orgulhosos da grade façanha e habilidade do francês na chuva já provada nos tempos de motocicleta. Foi realmente uma prova histórica comentada por vários jornalistas do mundo na época e até hoje relembrada. Emocionante, um festival de derrapagens, inclusive do próprio quando estes homens haviam apenas três pedais, uma alavanca, um volante pequeno, duro, e poucos instrumentos tudo isso numa cabine muito apertada. E o BRM estava em franca decadência nesta época. Neste ano ainda ganhou duas provas de Fórmula Um na Inglaterra no circuito de Brands Hatch, mas não eram validas para o campeonato.

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Neste mesmo ano ganhou os 1.000 Quilômetros de Paris com o compatriota Gérard Larrousse no Circuito de Rouen, no noroeste da França, a bordo de um Matra 670 e também no sul da França em Nogaro com um Chevron B19/21. Correu também em Le Mans, com a Matra-Simca, mas abandonou por probelmas mecânicos. 

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Em 1973 continuou a temporada de Fórmula Um pela BRM, mas suas maiores conquistas foram em Le Mans onde outra vez com Larrousse com o Matra MS670B ganhavam um teste. Também terminou em segundo os 1.000 Quilômetros de Zelweg na Áustria e os 1.000 Quilômetros de Dijon na França.

 

Em 1974, junto com o também compatriota Jean Pierre Jarier, apelidado de galocha de chumbo, venceram as Seis Horas de Watkins Glen nos Estados Unidos com um Matra Simca MS670C.  Também com Jarier os 1.000 Quilômetros de Castellet na França, a mesma quilometragem em Nürburgring na Alemanha e Brands Hatch na Inglaterra. A Matra ganhou nas mãos de Beltoise, Jarier, Ickx, Pescarolo e Larrousse nove das dez provas do Campeonato Mundial de Marcas sendo que não havia participado da primeira prova. Beltoise ainda chegou em segundo com Jarier as Seis Horas de Kyalami na África do Sul e terceiro nos  1.000 Quilômetros Zelweg e quarto nos  1.000 Quilômetros de Imola na Itália. Bela temporada em monstros muito potentes e confiáveis.  Na Fórmula Um seu melhor resultado foi o segundo lugar na África do sul com a BRM.   

 

Em 1975 retira-se da Fórmula Um e e ganha a Volta das Ilhas Reunião, no Oceano Indico em dupla com Pierre Aujoulet a bordo de um Alpine-Renault A110 1800.

Em 1976 foi campeão com um BMW 3.0 CSi e em 1977 com um BMW 530.

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Continou na categoia Super Turismo com um Peugeot 505 obtendo belos resultado. Foram 26 vitórias entre 1980 e 1987.

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Em 1979 foi campeão francês na categoria Rallycross com um Alpine A310 V6 Politechnic7 e voltou à Le Mans com um protótipo Rondeau M379 equipado com motor Cosworth em dupla com Jean Rondeau, ficou em quinto lugar geral e primeiro na S+2.0. 

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Foi um exemplo de homem patriota, persistente, com uma tenacidade incrível, caráter, honestidade e esportista para a França. Era um amante dos carros, do ambiente das corridas, entendia muito de mecânica e adorava o cheiro do óleo, da gasolina e do barulho dos motores. Por muito tempo será lembrado por todos estes motivos. Nas pista mais ainda. E como nosso querido Ayrton Senna da Silva, adorava uma pista molhada! Em qualquer tipo de piso era um excelente piloto.  Citava com elegância seus companheiros de pista como Jin Clark, Graham Hill, Bruce Mclarem, Johnny Servoz-Gavin, Jackie Ickx, Jochen Rindt, Jo Bonnier, etc.

Antes de falecer  foi presidente da Honra da DCA (Aassociation de Défense des Citoyens Automobilistes) Associação de Defesa dos Cidadãos Automobilistas. Também era comentarista de automobilismo de uma TV francesa. 



Rali das 1000 Pistas em 1983.

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O Rali das 1000 Pistas era disputado numa pista de terra numa área militar na região do Var, entre a Provence, Alpes e Costa Azul francesa numa região de treinamento militar. Fez parte do campeonato francês de ralis em 1982, 1983 e 1984. Jean Pierre correu com um Matra Murena. 

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A bordo do Matra Murena. 

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Fotos cedidas gentilmente por Jacqueline Casamayou
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A Escola de Pilotagem 

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Há mais de 40 anos foi criado o Circuito Jean Pierre Beltoise. Hoje lá funciona a escola de pilotagem PilotagePassion. No princípio era utilizado para testes em carros de produção industrial, mas depois abrigou várias provas como o famoso Troféu Andros, as 24 Horas de Paris  e provas de Rallycross. Beltoise desenvolveu cursos de Segurança na Estrada, aperfeiçoamento após a obtenção da carteira de motorista e seu objetivo era a direção correta para as estradas e para a cidade. Atualmente existem cinco unidades na França, mas a matriz fica perto de Paris. 




Escreveu o livro É Proibido Morrer contando sua trajetória até 1972. 

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Minha Homenagem em Escala

Estes são os Matra-Simca MS 670 que correram em Le Mans em 1972.

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Ambos da Solido francesa na escala 1/43. 

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E um exemplar de autorama. Da marca Scalextric na escala 1/32. Estava no catálogo da empresa em 1975/1976.

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Com Jacqueline Cévert, sua esposa, com quem teve dois filhos, Anthony e Julien. E o amigo Clay Regazzoni.

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Nos Quadrinhos

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Fez parte dos fabulosos quadrinhos do herói de corridas Michel Vaillant do autor  Jean Gratin. Com a Matra por exemplo. 

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E com as motos. 

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As premiações - Les Palmarés

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